segunda-feira, 28 de julho de 2014

Cachorro pode comer osso?

Cachorro pode comer osso? Você já deve ter visto nos pet shops diversos tipos ossos para cachorros, desde aqueles brinquedos de látex que imitam osso, até ossos bovinos naturais, em geral limpos e já esterilizados, ideais para exercitar a mastigação do animal. Mas quando falamos de ossos naturais sempre aparecem dúvidas em relação a segurança de se oferecer ossos aos cães.


Cachorro pode comer osso?
Cachorro pode comer osso?

Para começar, vou comentar um pouco sobre os tipos de ossos disponíveis para cães, e qual o nível de segurança que esses "brinquedos" ou "alimentos" oferecem aos nossos peludos. Há dois tipos distintos de ossos que podem ser oferecidos aos cães, com diferentes indicações: os ossos recreativos e os ossos comestíveis. O primeiro tipo é aquele encontrado em qualquer pet shop, utilizado para fins recreativos. Podem ser ossos naturais, limpos ou não (geralmente ossos bovinos), ou podem ser ainda aqueles ossos de brinquedo, concebidos para proporcionar entretenimento através da mastigação e não podem ser engolidos. Alguns desses brinquedos, no entanto, são feitos de material comestível, que podem ser também engolidos sem que haja riscos ao cachorro. Já os ossos recreativos naturais, são indicados somente para roer e não devem ser mastigados ou engolidos. O segundo tipo é o osso natural comestível, em geral utilizado pelos donos de cães que optam em alimentar seus cães através de uma dieta natural, baseada primariamente em carne crua.


Cachorro pode comer osso?
Cachorro pode comer osso?

Ossos recreativos


Mesmo quando falamos de ossos in natura, como por exemplo um fêmur bovino, ainda com carne, cartilagem e recheado de tutano, não consideramos esses ossos um complemento nutricional para a alimentação de um cachorro. Esse tipo de osso não é indicado para mastigar e engolir, ele serve apenas para roer, pois ajuda na limpeza dos dentes e estimula os cães mentalmente. Quando um cachorro rói ossos como esse, que chamamos de ossos recreativos, e em especial aqueles que ainda contêm carne e demais partes moles, é como uma boa escovada de dentes, pois ajuda a reduzir o tártaro, o mau-hálito e os riscos de gengivite.

Ossos comestíveis


Ao contrário dos ossos recreativos, os ossos comestíveis são aqueles que, na natureza, os cães e outros canídeos, como por exemplo o lobo, costumam mastigar e engolir. Esses ossos fazem parte da alimentação regular dos cães selvagens, acostumados a caçar para obter seu alimento, e também da alimentação dos cães domésticos que recebem uma dieta natural a base de carne crua. Esses ossos são, em geral, os ossos ocos de pequenos animais, como por exemplo o frango. Os ossos mais utilizados neste tipo de dieta são as asas e o pescoço de frango, pois são moles, não contém tutano e são facilmente triturados em moedores ou trituradores. Esses ossos fornecem cálcio, fósforo e traços de minerais que são essenciais na alimentação canina, e em especial para os filhotes. No entanto, conforme vamos comentar mais abaixo, esses ossos devem ser oferecidos em função do porte do cachorro, e em alguns casos, partes maiores podem ser mais indicadas.

Cachorro pode comer osso?


Para responder a essa pergunta de forma simples, podemos dizer que sim, cachorro pode comer osso. Todavia, tenha em mente que nem todo cachorro é igual, seja em relação ao tamanho, a raça e até mesmo ao comportamento. Conforme vou explicar mais abaixo, cães muito agitados e afoitos em relação à alimentação podem se engasgar até mesmo com as bolinhas desidratadas das rações comerciais. O mais aconselhável é julgar casa caso individualmente e procurar analisar com cautela se o seu cachorro está preparado para experimentar esse tipo de alimento. Os problemas ocorrem com muito mais frequência quando um cão recebe um osso pela primeira vez, portanto considere as questões abaixo e saiba quais são os riscos e os benefícios dos ossos na alimentação canina.


Cachorro pode comer osso?
Cachorro pode comer osso?

Como oferecer ossos recreativos aos cães de maneira segura?


Os ossos crus podem ser seguros e benéficos para a saúde dos cães, desde que haja cautela ao oferecer esse tipo de osso pela primeira vez (veja as dicas mais abaixo). Por outro lado, há riscos muito sérios se tentarmos oferecer ossos cozidos aos cães, independentemente da raça ou porte do animal. O cozimento torna os ossos muito mais frágeis, aumentando a chance de quebrarem em lascas e acabarem por causar problemas severos à saúde de seu cão. Os ossos cozidos podem quebrar os dentes dos cães com muito mais facilidade, machucar a boca, a língua e a gengiva, além de haver um grande risco de quebrarem em pedaços ou em lascas, e se ingeridos, esses pedaços podem causar obstruções e até mesmo perfurações em diversas partes do trato digestivo.

  1. Se o seu cachorro vai ganhar um osso para roer pela primeira vez, permaneça ao lado dele para supervisionar a maneira que ele se comporta. Essa é a única forma de saber se ele está roendo o osso de maneira segura ou se ele está sendo muito agressivo, tentando quebrar ou engolir o osso inteiro. Interrompa o processo ao menor sinal de desconforto ou se houver sangue no osso devido a uma mastigação muito bruta.
  2. Nunca deixe que ele roa até o osso ficar de um tamanho pequeno o suficiente para ser engolido. Se isso acontecer, retire o osso e jogue-o fora.
  3. Jamais ofereça ossos naturais cozidos, sejam eles de qualquer tipo ou tamanho, independentemente da raça ou porte do seu cachorro.
  4. Se você tem mais de um cachorro, nunca ofereça ossos no mesmo ambiente. Deixe-os em ambientes fisicamente separados, e só então ofereça os ossos para que eles possam roer com calma.
  5. No caso dos ossos naturais, ainda com carne e demais partes moles, certifique-se de oferecê-los em uma superfície fácil de lavar. Ossos frescos são gordurosos e pegajosos, e até que o seu cão limpe o osso, ele vai fazer alguma sujeira. Evite oferecer este tipo de osso em superfícies como tapetes ou no lugar onde seu cão dorme.
  6. Se você perceber que o seu cachorro está roendo o osso de forma muito violenta, redobre o cuidado e continue observando durante todo o tempo. Se você achar que ele está tentando quebrar em partes para engolir ou até mesmo tentando engolir o osso inteiro, retire o osso imediatamente. Em casos como esse, o mais indicado é não oferecer mais ossos ao seu cachorro.
  7. Cães com predisposição a pancreatite não toleram bem o consumo de alimentos gordurosos, e o tutano contido nos ossos frescos pode não fazer bem. Em casos assim, retire todo o tutano do osso antes de oferecê-lo ao seu cão.
  8. No caso dos ossos frescos que ainda tem carne e demais tecidos moles, certifique-se de que a carne esteja fresca. Sempre tenha em mente que os cães não devem consumir nenhum alimento que não esteja no mesmo padrão de qualidade que os alimentos próprios para consumo humano. Nunca ofereça carne estragada ou vencida ao seu cão.

Como oferecer ossos comestíveis aos cães de maneira segura?


Cães selvagens e outros canídeos, como os lobos, caçam para obter alimento e estão plenamente preparados para se alimentar da carne desses animais, incluindo os miúdos e ossos. Quando pensamos nos riscos de um cachorro engasgar com o alimento, é importante lembrar que esse risco existe também para os cães que se alimentam de ração desidratada. Em geral, os riscos aumentam em se tratando de cães que comem muito rápido e são muito afoitos para terminar a refeição. Isso pode ser facilmente observado em casas que tem mais de um cão. Em casos assim, os cães podem comer rápido demais em função da disputa entre eles, em especial se forem do mesmo sexo. Em situações mais sensíveis como essa, é necessário que se tenha maior cautela ao oferecer alimentação aos cães, seja ela a base de ração comercial ou não.

Para os proprietários que oferecem aos seus cães uma dieta natural a base de carne crua, os ossos são muito importantes para balancear a dieta, portanto vamos a algumas dicas para reduzir os riscos de engasgo.

Procure oferecer pedaços maiores aos cães grandes, e o mais inteiros possível

Um erro que ocorre com frequência ao oferecer ossos comestíveis é o tamanho do osso em relação ao porte do cão. Enquanto um pescoço de frango pode ser apropriado para um cão de pequeno porte, pode desencorajar os cães maiores a mastigar o osso apropriadamente. Para evitar que cães maiores, como por exemplo um Pastor Alemão tente engolir pedaços sem mastigar, procure não oferecer pedaços cortados. Ao oferecer, por exemplo, um frango inteiro ao invés de uma asa, você está estimulando a mastigação, o que evita que o seu cão tente engolir pedaços grandes de uma só vez. Além disso, pedaços cortados podem conter pontas afiadas que podem acabar ferindo o animal. Sempre que possível, dê preferência para os pedaços inteiros.

Prefira pedaços congelados

Os pedaços de carne com ossos que estão congeladas, ou parcialmente congeladas são mais duros e dão mais trabalho para mastigar, o que força o cachorro a comer mais devagar, evitando a afobação e riscos desnecessários de engasgo devido a falta de mastigação.

Ofereça os pedaços com mais carne

Evite oferecer ossos totalmente limpos ou que quase não contenham carne. O excesso de ossos na alimentação baseada em carne crua pode desbalancear a dieta e ainda causar constipação. Partes como a asa de frango ou até mesmo os ossos do peito podem deixar as fezes do cachorro muito duras, causando diversos problemas digestivos. Por exemplo, se você oferece em uma refeição pescoço de frango ou um pedaço de peito, que contém muito osso, complemente com alguns pedaços de carne para equilibrar a porção.

Para saber mais sobre como alimentar o seu cachorro com carne crua, confira o artigo Como iniciar uma dieta a base de carne crua. Se pretende iniciar este tipo de dieta mas ainda tem dúvida, confira o artigo Cães podem comer carne crua?.


Importante: O conteúdo desse blog tem caráter meramente informativo, e em nenhuma circunstância, substitui a orientação de um veterinário, especialmente no caso de distúrbios de fundo alimentar, intoxicação, ou qualquer outra patologia relacionada à ingestão de alimentos ou outros produtos. Sempre que houver qualquer sintoma atípico com seu pet, leve-o imediatamente ao veterinário. Lembre-se que quanto mais cedo for diagnosticado o problema, maior a chance de cura.

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